Este filme é sem dúvida um daqueles filmes clássicos da “Sessão da Tarde” que vai passar algumas muitas vezes durante o ano. O filme peca em muitos pontos, e os que mais doem são os péssimos atores e efeitos mal feitos tais como do Chapolin.
O filme resgata do original (1981) apenas a história base: um embate entre deuses, liderados pelo Zeus, e sua maior criação, os humanos. A maior cidade dos mortais, Argos, é colocada em questão pelas divindades quando exigem seu ato de fé: o sacrifício de uma bela princesa, Andrômeda. Caso isso não aconteça, a cidade será devastada pelos pesadelos monstruosos de Kraken (filho/criação suprema de Ades, um monstro indestrutível). E no meio disso tudo, um semi-deus, ou semi-heroi, que reluta, e que no final, vence, é claro!
Visualmente, o novo Fúria de Titãs, pode até eventualmente vir a desfrutar de destino semelhante. As imagens, criadas com computação gráfica e cenários grandiosos, deixam muito a desejar, principalmente quando os efeitos básicos como paisagens, plano de fundo e essas aulinhas básicas de efeitos especiais. Já as criaturas fabulosas como harpias e escorpiões gigantes fazem o abre-alas para o maior monstro já visto nas telonas, o Kraken. Todas têm peso e presença, as batalhas contra elas são frenéticas e bem coreografadas e equilibradas com um alívio cômico aqui e ali.
No entanto, o longa padece de problemas sérios de roteiro. Apesar de não se apressar em jogar Perseu e seu bando na busca pela única arma conhecida capaz de fazer frente ao Kraken, nenhum personagem é suficientemente desenvolvido. Dessa forma, como todo o texto se apoia sobre a ideia de sacrifício, fica difícil lamentar o destino de Andrômeda, afinal, ela teve apenas uma cena para ser apresentada. "Matem-na e salvem Argos de uma vez..." é a impressão que predomina. Sem falar na estruturinha básica de personagens que temos em todo filme: o vilão, o paizão, o conselheiro, os personagens de apoio na batalha que durante os filmes vão morrendo, e o grande herói, é claro!
Tentando dar ao gênero alguma novidade e mulheres fortes, os roteiristas deslocam o interesse romântico de Perseu para Io, humana amaldiçoada com a imortalidade, que age como guia do guerreiro em sua jornada. Io surge sem aviso, convence Perseu de sua divindade rapidamente e é aceita pelo grupo sem questionamentos, tá né. Um bando, vale lembrar, liderado pelo imponente Draco, alguém que a história já havia mostrado ser um sujeito absolutamente desconfiado de estranhos.
Não ajuda também o fato do elenco inteiro estar péssimo, pois isso, qualquer débil percebe. Worthington tem aqui seu pior papel desde que despontou em Exterminador do Futuro: A Salvação. Careteiro, insosso... só consegue empolgar quando brada frases de efeito, como "não olhem nos olhos da vadia", que tive que rir né. Ele é acompanhado em sua mediocridade por Arterton (olhos lacrimejantes o tempo todo, tadinho) e todos os demais. Aos sempre competentes Neeson e Ralph Fiennes resta um ou outro diálogo caricato e a certeza que Leterrier não fez o menor esforço em fazê-los trabalhar como sabem. E melhor nem falar do pobre Danny Huston, que aparece 10 segundos em cena como Poseidon, ou melhor, será que ele apareceu mesmo ou eu que estou imaginando???Fica a dúvida que não vou tirar, pois ver o filme novamente seria tortura.
Fúria de Titãs, claro, não poderia ser um filme de ação dos anos 2010 se não empregasse a tecnologia do 3-D, tendência dos últimos anos tornada obrigatória depois que Avatar (também com Worthington) mobilizou o planeta. Mas a decisão chegou tarde demais, quase no final da pós-produção (o filme foi até adiado em um mês por causa disso)... convertido na montagem, o filme é talvez o pior a empregar essa tecnologia. A profundidade funciona nas cenas rápidas, na ação, quando harpias voam na direção da plateia ou quando os tentáculos do Kraken se esticam na direção do rosto do espectador. Mas nas sequências de diálogos, no campo e contracampo, com o quadro mais estático, chegam a tirar a atenção do que os personagens estão dizendo. É tão ruim que em várias dessas cenas as cabeças dos atores parecem cortadas, como se o rosto estivesse em um plano e a parte de trás do cabelo em outro, unidos por um a membrana de cabelo. Bizarríssimo!!!! Isso também acontece em planos médios, quando o rosto e peito estão na mesma linha e o pescoço parece muito mais fundo do que deveria. A estranheza é constante quando a câmera se acalma. Prefira a versão em 2-D, ou melhor, prefira NÃO ver o filme!
Com ótimos valores de produção e com personagens instigantes, o novo Fúria de Titãs poderia ser um clássico instantâneo. Mas o descaso de Leterrier com a direção de atores e o roteiro fraquíssimo reduziram o filme a uma bela sucessão de quebra-paus. Ao menos isso o diretor sabe fazer com estilo, justificando o ingresso para alguns. De qualquer maneira, fica o lamento pelo que esse embate de figura mitológicas poderia ter sido.Enfim não indico este filme!

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